As habilidades socioemocionais ajudam crianças e adolescentes a reconhecer emoções, criar vínculos e tomar decisões com responsabilidade. Por isso, o papel da escola nesse desenvolvimento ganhou destaque, com foco na aproximação da realidade do aluno e na formação integral.
Esse movimento ganhou força, a partir de 2020, com a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em todo o país. Este documento, além de elencar 10 competências gerais para crianças e jovens estudantes, aborda a necessidade de olharmos para os alunos de forma integral.
A experiência do ensino remoto reforçou a importância do acolhimento socioemocional, e o tema segue na rotina das escolas. Veja por que promover as habilidades socioemocionais na escola e como colocá-las em prática na educação infantil, no ensino fundamental e no ensino médio.
Por que promover as habilidades socioemocionais na escola?
As habilidades socioemocionais são fundamentais para o desenvolvimento de um ambiente escolar saudável.
Os programas de habilidades socioemocionais, entre diversas ações, buscam:
- Promover o autoconhecimento e protagonismo do aluno;
- Desenvolver o senso crítico e atuação ética na sociedade;
- Incentivar a inserção social a partir da construção de valores;
- Criar relações consistentes de maneira responsável.
No entanto, de 2020 para cá, com os desafios que diversas instituições de ensino vêm enfrentando, desde sua organização estrutural e mínima para dar continuidade às aulas, até aqueles relacionados ao acolhimento socioemocional da comunidade escolar, passamos a olhar o desenvolvimento dessas habilidades com foco na saúde mental.
Isso é natural, afinal, a mudança brusca da forma como concebemos o espaço escolar gerou impactos emocionais que não podem ser negligenciados e que foram motivados, em especial, por alguns fatores, como: distanciamento, ruptura das relações humanas, incertezas e mudança no processo de ensino-aprendizagem.
O tema também ganhou respaldo legal. Em 2024, a Lei nº 14.819 instituiu a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, que tem entre os objetivos promover a saúde mental da comunidade escolar e prevê articulação com o Programa Saúde na Escola (PSE). A lei inclui pais e responsáveis na comunidade escolar, o que reforça que o acolhimento emocional é tarefa compartilhada entre escola e família.
Como fazer o acolhimento socioemocional dos alunos?
Antes de mais nada, é importante considerar que a abordagem das habilidades socioemocionais no campo da escola deve promover a construção de valores de forma consistente, considerando que a inteligência emocional passa a ser desenvolvida quando o aluno se torna mais consciente de suas potencialidades e fragilidades.
A partir disso, veja algumas dicas para desenvolver as habilidades socioemocionais na prática em cada etapa da educação básica:
Educação infantil
Na educação infantil, as habilidades socioemocionais podem ser trabalhadas por meio de desenhos das emoções dos alunos.
Uma das maiores preocupações com o público infantil é o impacto no desenvolvimento humano e social. As habilidades socioemocionais estão vivas neste segmento e a interação entre pares é fundamental para conhecer a si mesmo e ao outro.
Além disso, é um espaço para construção de afetividade e criação de vínculos. Portanto, é muito importante que professores possam promover atividades de integração da turma, que retomem o quão prazeroso é quando estão juntos e os conscientizem de que as mudanças na forma como nos relacionamos não diminuem o cuidado com o outro.
Quando o contato físico não é possível ou a criança ainda se sente insegura para ele, como demonstrar afeto? Reúna seus alunos e incentive-os a escrever um cartão para enviar aos colegas como forma de demonstração de carinho e criação de vínculos.
Outras atividades funcionam bem nessa etapa: rodas de conversa para nomear sentimentos, histórias que tratam de emoções e jogos cooperativos, que ensinam a esperar a vez e a ajudar o colega. O SAS Educação organiza a aprendizagem da educação infantil de forma progressiva, respeitando as necessidades da criança.
Ensino fundamental
Nesta etapa, o desafio está na construção de laços e promoção da autonomia do aluno. Os alunos do ensino fundamental, geralmente, estão se descobrindo e criando grupos de afinidades com colegas, além de desenvolver valores mais consistentes que requerem responsabilidade.
Por isso, é importante que a escola promova ações de união e espírito de time, para que eles reconheçam como os laços consistentes são fundamentais para que sejam cada vez melhores consigo e com o próximo. Procure promover atividades de reconhecimento dos pares e valorização das boas práticas disseminadas na turma.
Projetos em grupo com papéis definidos, mediação de conflitos entre colegas e rodas de conversa sobre situações do cotidiano ajudam a exercitar a empatia e a cooperação, que são competências gerais da BNCC. O ensino fundamental do SAS Educação tem como proposta a formação integral, que consolida o aprendizado e desenvolve o estudante.
Ensino médio
No caso dos alunos do ensino médio, as habilidades socioemocionais precisam considerar as ambições do Projeto de Vida de cada estudante.
Diferente das outras duas etapas, no ensino médio, o aluno passa a se questionar sobre seu Projeto de Vida e caminhos futuros, para além do cenário escolar. Especificamente na 3ª série, esse sentimento fica latente com a pressão frente ao vestibular e processos seletivos.
Dessa forma, as atividades com foco em habilidades socioemocionais devem estar voltadas ao Projeto de Vida do estudante, considerando habilidades necessárias para que ele projete o futuro e saiba fazer o autogerenciamento das incertezas.
Vale considerar que a rotina do ensino médio combina muitas tarefas, avaliações e plataformas digitais. Mesmo familiarizados com a tecnologia, os estudantes podem ter dificuldade para se organizar, o que torna o autogerenciamento uma habilidade a ser trabalhada na prática.
Para ajudá-los, a escola pode promover atividades que deem voz a esses estudantes e relevância aos seus anseios, desenvolvendo ações de autoconhecimento, tomadas de decisões e inserção social, com olhar para objetivos pessoais e profissionais. Rodas de conversa sobre escolhas profissionais, planejamento da rotina de estudos e conversas com ex-alunos são caminhos possíveis. A solução do SAS Educação para o ensino médio amplia o aprendizado com foco na formação integral e na preparação para o futuro.
Como a parceria entre escola e família fortalece essas habilidades
No momento de colocar as habilidades socioemocionais em prática, a parceria entre família e escola é indispensável.
O mais importante é considerar que fortalecer o desenvolvimento de habilidades socioemocionais se torna necessário para preparar jovens estudantes para um futuro que ainda não conhecemos, mas que certamente vai requerer que eles saibam se conhecer para poder agir e gerar impacto na sociedade.
Vale ressaltar que as vivências de cada um são elementos fundamentais para promover o acolhimento socioemocional, assim como o envolvimento das famílias, incentivando-as a participar da construção de repertório dos seus filhos, o que é fundamental.
A aproximação escola e família é um caminho muito promissor para educar e construir uma jornada de (auto)conhecimento muito enriquecedora.
Na prática, as famílias podem conversar sobre o dia da criança ou do adolescente, validar sentimentos e dar o exemplo ao lidar com frustrações. A escola, por sua vez, contribui com reuniões e devolutivas regulares, que mostram como a turma tem se desenvolvido e indicam como a família pode apoiar em casa.
Habilidades socioemocionais como base da formação integral
Promover as habilidades socioemocionais na escola exige planejamento, atividades adequadas a cada etapa e parceria com as famílias. Quando o acolhimento faz parte da rotina, os estudantes ganham repertório para se conhecer, conviver e projetar o futuro com mais segurança.
Para entender como o SAS Educação apoia a formação integral na sua escola, entre em contato com um de nossos consultores.
Perguntas frequentes sobre habilidades socioemocionais na escola
Quais competências da BNCC se relacionam às habilidades socioemocionais?
A BNCC não traz uma lista única de habilidades socioemocionais, mas as competências gerais 8, 9 e 10 tratam desses aspectos de forma mais direta: autoconhecimento e autocuidado, empatia e cooperação e responsabilidade e cidadania. Elas orientam o planejamento de atividades em todas as etapas.
Como acompanhar o desenvolvimento socioemocional dos estudantes?
O acompanhamento depende de observação com critérios definidos, registros periódicos e autoavaliação dos alunos. Em vez de notas isoladas, o mais indicado é analisar a evolução ao longo do tempo e compartilhar as percepções com as famílias.
A escola precisa ter uma aula específica para trabalhar essas habilidades?
Não necessariamente. Elas podem aparecer em todas as disciplinas, em projetos, na mediação de conflitos e em momentos planejados, como rodas de conversa e atividades de Projeto de Vida. O importante é que haja intencionalidade e continuidade.
O que fazer diante de sinais de sofrimento emocional em um aluno?
O primeiro passo é acolher e escutar, sem julgamentos. Em seguida, a escola deve registrar a situação, conversar com a família e acionar a coordenação. Quando os sinais persistem, o encaminhamento a profissionais de saúde é necessário, pois a escola apoia, mas não substitui o atendimento clínico.
*Este texto é autoria de Giovana Alfredo – Especialista Educacional no SAS Plataforma de Educação
Deixe seu comentário