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A coordenação motora ampla é a base do movimento na infância e acompanha a criança desde os primeiros meses de vida até a Educação Infantil. Trabalhá-la de forma intencional, inclusive no ensino híbrido, ajuda a manter o desenvolvimento físico e emocional em dia.

Neste conteúdo, você vai entender o que é a coordenação motora ampla, como ela se diferencia da coordenação motora fina e quais atividades aplicar em diferentes faixas etárias. Também verá como alinhar essas práticas à BNCC e como reverter perdas motoras associadas ao excesso de telas.

O que é coordenação motora ampla?

A coordenação motora ampla está relacionada com a habilidade de movimentar, de forma eficiente, as articulações e os músculos do corpo, por meio de comandos programados do cérebro. Trata-se da primeira coisa aprimorada na criança, desde os meses iniciais de vida até a Educação Infantil. 

Nesse momento, a coordenação motora ampla é aliada ao desenvolvimento cognitivo da criança, que está aprendendo a controlar seus impulsos.

Os movimentos da motricidade ampla compreendem andar, carregar, empurrar, mexer os braços, pernas e mãos, correr, sentar, se inclinar para frente e para trás e rolar, por exemplo.

Conforme a idade avança, novos movimentos vão surgindo de forma relevante para a evolução da criança. Dessa maneira, cada aprendizagem nova, gerada através da experiência motora, contribui para mudanças físicas e mentais.

É por meio da coordenação motora ampla que o corpo da criança vai se estruturando no tempo e no espaço, fazendo com que os pequenos adquiram mais consciência, controle e conhecimento do próprio corpo, uma vez que a motricidade global é a ação simultânea de grupos musculares diferentes, com o objetivo de executar movimentos voluntários mais ou menos complexos. 

A ausência da coordenação motora bem estruturada ocasiona ritmo mais lento e atraso no desenvolvimento motor, aspecto fundamental na constituição do indivíduo.

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ensino hibrido

Qual a diferença entre coordenação motora ampla e coordenação motora fina?

Embora caminhem juntas, a coordenação motora ampla e a coordenação motora fina trabalham grupos musculares diferentes. A ampla, também chamada de motora grossa, envolve os grandes músculos do corpo e movimentos que exigem o corpo inteiro, como correr, saltar, rolar e equilibrar-se.

Já a coordenação motora fina envolve os pequenos músculos das mãos e dos dedos, ligados a tarefas de precisão, como segurar o lápis, recortar, encaixar peças e amarrar o cadarço.

Na prática pedagógica, a motora ampla costuma ser desenvolvida primeiro e serve de base para a motora fina. Uma criança que domina o próprio corpo no espaço tem mais facilidade para conquistar, depois, os movimentos de precisão que sustentam a escrita.

Por que a coordenação motora ampla é importante no desenvolvimento infantil

É muito importante estabelecer, dentro do plano de ensino do professor, as atividades de coordenação motora ampla, pois, além de trabalhar o desenvolvimento das crianças, promovem o vínculo com a rotina escolar mesmo quando parte das aulas acontece a distância.

Esse cuidado tem respaldo em orientações de saúde. A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças menores de cinco anos pratiquem pelo menos 180 minutos de atividade física ao longo do dia, como caminhar, correr, pular e brincar de forma ativa (ONU Brasil).

O objetivo prioritário é trabalhar os principais músculos do corpo. Além disso, outras competências podem ser unidas, como contar uma história e, em seguida, imitar os animais que ali aparecem.

É importante salientar que, mesmo na modalidade híbrida, a estruturação dos músculos continua sendo formada. Por isso, é fundamental que a criança exerça atividades de coordenação motora ampla, ainda que não vá ao espaço físico da escola. 

O corpo necessita dessa estruturação, uma vez que a musculatura bem desenvolvida colabora diretamente com uma coordenação motora ampla mais eficiente.

Dentro deste contexto, a família também exerce o papel de facilitar e estimular a criança para que permaneça evoluindo sua motricidade. O estímulo para que as tarefas sejam feitas com a participação dos demais reflete em momentos de integração e divertimento, envolvendo mais pessoas na execução das atividades.

Coordenação motora ampla, psicomotricidade e a BNCC

A coordenação motora ampla é um dos pilares da psicomotricidade, campo que estuda a relação entre movimento, cognição e emoção. Trabalhar o corpo, nessa perspectiva, é também trabalhar atenção, autorregulação e a forma como a criança se relaciona com o espaço e com os colegas.

Na Educação Infantil, a BNCC organiza a aprendizagem em campos de experiências. O campo "Corpo, gestos e movimentos" dialoga diretamente com a coordenação motora ampla, ao propor que a criança explore o próprio corpo, os objetos e o ambiente de maneira ativa.

Alinhar as práticas de psicomotricidade à BNCC significa planejar cada atividade lúdica com um objetivo claro de aprendizagem, e não apenas como recreação. Assim, o movimento passa a ser registrado e acompanhado como parte do percurso de desenvolvimento da criança.

Atividades de coordenação motora ampla no ensino híbrido

Durante o ensino híbrido, algumas atividades de coordenação motora ampla ficam mais limitadas, devido a vários fatores. Porém, utilizando a criatividade e as dicas abaixo, é possível elaborar tarefas bem interessantes que também desenvolvem equilíbrio e agilidade. Confira:

Correr

Mesmo em espaço limitado, a criança pode fazer pequenos circuitos de corrida, como dentro da quadra do condomínio, em um quintal ou na sala de casa. Além de liberar energia, a atividade trabalha os músculos do corpo e funciona como uma atividade física.

É possível, por exemplo, solicitar que os alunos gravem um vídeo enquanto fazem uma etapa de corrida ao redor do prédio ou da própria casa. Certamente, os familiares irão se envolver e, quem sabe, participarão da atividade, promovendo um momento de interação.

Pular

Essa é uma atividade de coordenação motora ampla que trabalha a musculatura e é prazerosa para todos. Além de ser um exercício físico, pode funcionar também como uma atividade interdisciplinar.

Citando o movimento de pular corda, o educador pode solicitar que o aluno conte quantos pulos consegue dar sem falhar. Também é possível promover outras atividades, a critério e de acordo com a criatividade de cada professor.

Saltar

Diverte e desafia o aluno, promovendo o equilíbrio. Uma sugestão é montar na sala de casa uma sequência de almofadas e sugerir que a criança realize pequenos saltos com obstáculos. Outra maneira de estimular a atividade com saltos, que também integra outras competências, é por meio do jogo da amarelinha, no qual são feitos quadrados com números no chão.

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Duas meninas brincando de amerelinha em uma praça, uma das atividades de coordenação motora ampla sugeridas.

Atividades de coordenação motora ampla, como a amarelinha, são excelentes exemplos de tarefas divertidas e produtivas para serem realizadas em casa e com toda a família.

Rolar

Para essa atividade, a mobília da casa pode ser utilizada como percurso. Rastejar da sala até a cozinha, depois rolar de volta, ou rolar dez vezes do sofá até a estante e voltar. São atividades simples que podem ser feitas por meio das aulas remotas do ensino híbrido e que operam dentro do desenvolvimento proposto pela coordenação motora ampla.

Mexer braços e pernas

São as primeiras atividades de coordenação motora ampla que realizamos, desde tenra idade. Com variedade de exploração, as mais comuns são os alongamentos e os vários tipos de dança e atividades aeróbicas. Essa sugestão envolve todas as idades e costuma ser prazerosa para os alunos.

Andar em ritmos variados

Desenvolve o controle sobre o corpo por meio da intensidade da caminhada. Por ser relativamente simples, a atividade pode ser realizada em espaços variados e, dependendo da idade dos alunos, é possível uni-la à construção de outros saberes, como os batimentos cardíacos.

Independentemente do contexto, as atividades de coordenação motora ampla são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças. Isso vale também para as aulas presenciais, nas quais tais atividades fazem parte do cotidiano e estão presentes no planejamento dos educadores.

Como adaptar as atividades por faixa etária na Educação Infantil

A Educação Infantil merece atenção especial para que seja possível avançar sem causar grandes lacunas no desenvolvimento de habilidades importantes nos pequenos.

Como a interação com os colegas nem sempre ocorre de forma presencial, é importante que professores, escola e famílias busquem viabilizar a convivência on-line durante as aulas, além de exibir os vídeos gravados durante as tarefas para os demais colegas de turma.

Seguem, abaixo, algumas dicas específicas para esta faixa etária para trabalhar a coordenação motora ampla no ensino híbrido:

  • Dança: propor uma tarefa que envolva música e movimento, além de divertida, trabalha a coordenação motora ampla e pode envolver toda a família.
  • Andar sobre linhas: parece simples, mas para as crianças da Educação Infantil é um grande desafio. Trabalha o equilíbrio e a concentração, e pode ser feito com tecidos ou com linhas no chão da sala.
  • Circuitos com materiais diversos: mesmo com espaço restrito, é possível trabalhar a coordenação motora ampla com as ferramentas disponíveis em casa. O educador pode sugerir pular corda, amarelinha, correr, andar e imitar animais, sempre visando o trabalho motor.

Independentemente da atividade escolhida, a ludicidade deve estar presente em todas as etapas de ensino na Educação Infantil. É por intermédio dos jogos motores lúdicos que a criança entra em contato com a liberdade e desperta para a expressão de sentimentos, constituindo sua própria realidade.

Uma forma de cativar e manter os pequenos engajados nas propostas é trazer novidades. As crianças apreciam tarefas diferentes, que despertam interesse e curiosidade. Por isso, o educador deve sempre variar o conteúdo das aulas.

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Educadora explica uma das atividades de coordenação motora ampla para seus alunos: em frente ao notebook segura uma folha de papel onde há um desenheo de um leão, a letra L e a palavra "Lion".

Os educadores devem diversificar as atividades de coordenação motora ampla. Um exemplo é propor contação de histórias e imitação dos personagens.

Intencionalidade pedagógica nas atividades lúdicas de movimento

Brincar e aprender não são coisas separadas na Educação Infantil. A diferença entre uma brincadeira qualquer e uma atividade lúdica pedagógica está na intenção do educador ao propô-la.

Para garantir essa intencionalidade, vale definir antes de cada proposta: qual habilidade motora será trabalhada, qual competência da BNCC ela contempla e como o desempenho da criança será observado. Assim, correr, saltar ou imitar animais deixa de ser apenas diversão e passa a ter um objetivo de aprendizagem claro.

Algumas sugestões que unem movimento e imaginação são a corrida de pinguins, fugir dos tubarões, imitar a pata do elefante e confeccionar um dado com figuras de animais para reproduzir seus movimentos. Todas trabalham os grandes músculos do corpo enquanto estimulam a criatividade.

Contexto digital e perda de habilidades motoras: como reverter

O aumento do tempo diante de telas pode reduzir as oportunidades de movimento livre, justamente o que a criança precisa para desenvolver a coordenação motora ampla. Quando o corpo fica muito tempo parado, o ritmo de aquisição de novas habilidades tende a ficar mais lento.

Não à toa, a Organização Mundial da Saúde recomenda limitar o tempo de tela passiva a, no máximo, 60 minutos por dia para crianças de até cinco anos, priorizando a brincadeira ativa (ONU Brasil). A Sociedade Brasileira de Pediatria segue a mesma linha e orienta substituir as telas por atividades esportivas e exercícios ao ar livre, sempre com supervisão (SBP).

A boa notícia é que esse quadro pode ser revertido com rotina e intencionalidade. Reservar momentos diários para brincadeiras ativas, alternar o uso de telas com pausas de movimento e transformar o próprio ambiente da casa em espaço de exploração são estratégias simples e eficazes.

Vale reforçar que sinais de dificuldade no movimento não devem ser tratados como diagnóstico. Diante de comportamentos que chamem a atenção dos responsáveis, o mais indicado é buscar orientação de um profissional da saúde.

Como avaliar minhas atividades de coordenação motora ampla?

Para gerar maior interação, as atividades de coordenação motora ampla podem ser realizadas em pequenos grupos e supervisionadas quando em caráter remoto. Os grupos podem ser formados nas aulas on-line ou na residência, junto aos familiares, dependendo do contexto em que estão sendo ministradas as aulas.

Na tabela abaixo, relacionamos as atividades e seus respectivos pontos de atenção, sinalizando como quantificá-las:

AtividadeDesempenhoPontos de atençãoPróximos passos
PularBaixo- dificuldades de equilíbrio não comum para a idade- cuidado com lesões ou dores nas articulações- propor exercícios cotidianos- procurar auxílio de um profissional da saúde
CorridaMédio a alto- atenção com obstáculos- propor intensidades variadas para trabalhar autocontrole- propor exercícios diários em locais variados- conversar com os responsáveis para estimular os filhos
BolaBaixo a médio- verificar a disponibilidade de espaço físico dependendo da atividade- material disponível na residência do aluno- apontar jogos e tarefas diferentes que podem ser feitas com a bola- exemplificar as sugestões com vídeos
Corda ou tecidosBaixo a médio- diversificar as atividades observando faixa etária- observar e orientar bem a manipulação das cordas ou tecidos, de modo a evitar acidentes.- demonstrar as opções de uso dos materiais- conversar com as responsáveis sobre a importância de manter uma rotina de atividades, variando a cada dia.

O SAS pode ajudar a melhorar as atividades de coordenação motora ampla da sua escola

Diagnosticar os pontos de melhoria em cada segmento é fundamental para que a escola possa planejar, efetivamente, os próximos passos. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) pode e deve ajudar nesse processo, pois existe uma progressão das habilidades entre o Ensino Fundamental, dos Anos Iniciais aos Anos Finais.

O Aprendizagens Essenciais, solução desenvolvida pelo SAS, que ajuda a identificar e sanar as lacunas de aprendizagem dos alunos, funciona como um facilitador na rotina dos professores, seja em sala de aula, seja no ensino remoto. Quer saber como o SAS pode ajudar sua escola na condução de um ensino híbrido de excelência? Clique aqui e fale com nosso time de consultores.

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Coordenação motora ampla como base do desenvolvimento

A coordenação motora ampla sustenta o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional da criança e continua sendo possível de trabalhar mesmo no ensino híbrido, com criatividade, rotina e intencionalidade pedagógica. Adaptar as propostas à faixa etária e alinhá-las à BNCC garante que o movimento seja também aprendizagem.

Para estruturar esse acompanhamento e identificar as habilidades a desenvolver em cada etapa, contar com soluções pensadas para a realidade da escola faz diferença. Conheça como o SAS Educação apoia a jornada pedagógica da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Perguntas frequentes sobre coordenação motora ampla

O que é a coordenação motora ampla?

É a habilidade de movimentar de forma coordenada os grandes músculos do corpo, permitindo ações como andar, correr, saltar, rolar e equilibrar-se.

Qual a diferença entre coordenação motora fina e ampla?

A ampla usa os grandes músculos e o corpo inteiro, em movimentos como correr e pular. A fina usa os pequenos músculos das mãos e dos dedos, em tarefas de precisão como escrever, recortar e encaixar.

O que é coordenação ampla e grossa?

São o mesmo conceito. "Coordenação motora grossa" é outro nome para a coordenação motora ampla: ambas se referem ao controle dos grandes grupos musculares do corpo.

Quais são algumas atividades que podem estimular a coordenação motora ampla?

Correr, pular, saltar, rolar, dançar, andar sobre linhas, brincar de amarelinha e montar circuitos com obstáculos são atividades que estimulam a coordenação motora ampla.

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