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Você já ouviu falar em campos de experiência na Educação Infantil? Eles correspondem às principais experiências que as crianças precisam vivenciar para desenvolver habilidades cognitivas, sociais e motoras de forma adequada. Alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), esses campos ajudam professores a organizar o planejamento pedagógico, garantindo que cada criança tenha experiências significativas dentro da escola.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece cinco campos de experiência na Educação Infantil em suas diretrizes e todos incluem brincadeiras e organizações pedagógicas específicas. Aqui no texto, você poderá compreender melhor esse assunto, bem como ter acesso a algumas ideias de atividades para aplicar dentro de cada campo.

Então, confira com a gente e saiba como criar aulas mais instigantes para seus alunos!

O que são campos de experiência na Educação Infantil?

Os campos de experiência funcionam como referências pedagógicas que orientam vivências importantes para o desenvolvimento infantil. Eles permitem que crianças de até 5 anos construam autonomia, linguagem, criatividade e conhecimentos sobre o mundo por meio de brincadeiras, interações e explorações.

Mais do que uma lista de conteúdos, os campos constituem uma forma de organização curricular baseada na maneira como a criança aprende: convivendo, movimentando o corpo, explorando ambientes, formulando perguntas e atribuindo sentidos ao que vivencia.

A BNCC define cinco campos que devem ser trabalhados de forma contínua, respeitando as características, os interesses e o ritmo de aprendizagem de cada criança.

Isso não significa que cada campo precise ser desenvolvido separadamente. Uma mesma proposta pode envolver movimento, linguagem oral, relações sociais, produção artística e exploração de quantidades.

Quais são os cinco campos de experiência da BNCC?

Os campos de experiência na Educação Infantil contemplam diferentes dimensões do desenvolvimento da criança, como identidade, convivência, expressão, linguagem, criatividade, movimento e investigação.

Cada campo orienta os professores na escolha de experiências adequadas às necessidades das crianças e aos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento previstos pela BNCC.

1. O eu, o outro e o nós

Este campo aborda a relação da criança consigo mesma, com outras crianças e com os adultos que fazem parte de sua convivência.

É por meio dessas experiências que ela desenvolve o autoconhecimento, a autonomia, o respeito ao próximo e a percepção das diferenças entre as pessoas.

As práticas desse campo também devem criar oportunidades para que as crianças expressem sentimentos, participem de decisões coletivas e aprendam a lidar com conflitos.

Rodas de conversa, brincadeiras colaborativas, atividades de cuidado e projetos sobre família, identidade, cultura e diversidade são exemplos de propostas relacionadas a esse campo.

2. Corpo, gestos e movimentos

A criança utiliza o corpo e os movimentos como formas de expressão, comunicação e exploração do ambiente.

Por isso, brincadeiras, danças, jogos, atividades teatrais e circuitos motores são importantes para estimular a coordenação, o equilíbrio, a percepção corporal e a autonomia.

Esse campo também envolve deslocamento, lateralidade, manipulação de objetos e reconhecimento dos limites e das possibilidades do próprio corpo.

Ao explorar diferentes espaços e movimentos, a criança desenvolve mais segurança e amplia suas formas de se relacionar com o mundo.

3. Traços, sons, cores e formas

Este campo valoriza as diferentes manifestações culturais e artísticas, permitindo que a criança amplie seu repertório e desenvolva novas formas de representar o mundo.

Fotos, desenhos, pinturas, esculturas, músicas, ritmos, modelagens, colagens e construções podem fazer parte das experiências propostas.

O objetivo não é produzir trabalhos padronizados, mas permitir que a criança faça escolhas, experimente materiais e desenvolva criatividade, sensibilidade e autoria.

O professor pode oferecer diferentes recursos e incentivar a observação, a criação e o compartilhamento das produções realizadas pelo grupo.

4. Escuta, fala, pensamento e imaginação

Este campo concentra experiências relacionadas à linguagem oral, à escuta, à literatura e à construção do pensamento.

A proposta é que as crianças tenham acesso a livros, contação de histórias, poesias, cantigas e diferentes gêneros textuais presentes no cotidiano.

O professor deve criar oportunidades para que elas conversem, façam perguntas, produzam narrativas, recontem acontecimentos e compartilhem suas ideias.

Esse trabalho não deve ser confundido com a antecipação da alfabetização formal. Na Educação Infantil, a criança se aproxima da cultura escrita ao ouvir histórias, manusear livros, formular hipóteses e participar de situações reais de leitura e escrita.

O professor também pode atuar como escriba, registrando histórias, listas, convites e descobertas produzidas pela turma.

Em nosso canal no YouTube já temos diversos vídeos de Educação Infantil com contação de histórias. Clique aqui e conheça!

5. Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações

Este campo reúne conhecimentos relacionados ao espaço, ao tempo, às quantidades, às relações e às transformações observadas no cotidiano.

A noção de espaço permite que as crianças compreendam conceitos como perto, longe, na frente, atrás, dentro e fora.

A percepção de tempo envolve situações como dia e noite, ontem, hoje, amanhã, rotina e mudanças que acontecem ao longo do ano.

Em relação às quantidades, podem ser trabalhadas contagens, comparações, agrupamentos, medidas e situações matemáticas presentes nas brincadeiras.

O campo também estimula a investigação do mundo físico e natural. As crianças podem observar plantas, animais, fenômenos climáticos, objetos, materiais e processos de transformação.

A proposta não é oferecer respostas prontas, mas incentivar a observação, a formulação de hipóteses e a experimentação.

Como os campos de experiência se dividem por grupos etários?

A BNCC organiza os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento da Educação Infantil em três grupos etários.

Essa divisão ajuda o professor a selecionar experiências adequadas às possibilidades e às necessidades das crianças em cada fase.

Bebês

O grupo dos bebês contempla crianças de zero a 1 ano e 6 meses.

Nessa fase, as experiências devem priorizar vínculos afetivos, exploração sensorial, movimentos, comunicação por gestos, sons, expressões e contato com diferentes ambientes e materiais.

Crianças bem pequenas

Esse grupo reúne crianças de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses.

As propostas podem ampliar a autonomia, a linguagem oral, a brincadeira simbólica, a interação com outras crianças e a exploração de objetos, sons, movimentos e espaços.

Crianças pequenas

Esse grupo contempla crianças de 4 anos a 5 anos e 11 meses.

As experiências podem envolver a produção de narrativas, a investigação, a cooperação, a argumentação, a representação e a resolução de situações do cotidiano.

As faixas etárias são referências e não devem ser tratadas como limites rígidos. O professor precisa considerar a trajetória, os interesses e o ritmo de desenvolvimento de cada criança.

Qual é a diferença entre campos de experiência, competências e habilidades?

Embora esses conceitos estejam relacionados, eles possuem funções diferentes na organização da BNCC.

As competências gerais orientam toda a Educação Básica e envolvem a mobilização de conhecimentos, atitudes e valores para lidar com situações da vida.

Os campos de experiência organizam o currículo da Educação Infantil a partir das vivências e das formas de aprender das crianças.

Dentro de cada campo, a BNCC apresenta os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, organizados de acordo com os grupos etários.

O termo “habilidades” é utilizado formalmente com maior frequência no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Na Educação Infantil, a BNCC utiliza a expressão objetivos de aprendizagem e desenvolvimento.

Como garantir os direitos de aprendizagem por meio dos campos?

A BNCC estabelece seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se.

Esses direitos devem atravessar todos os campos de experiência e estar presentes nas situações propostas pela escola.

Conviver

Envolve a interação com crianças e adultos, o contato com diferentes culturas e o desenvolvimento do respeito e da cooperação.

Brincar

Exige que a escola organize tempo, espaços e materiais para brincadeiras livres e propostas pelos professores.

Participar

Significa permitir que as crianças façam escolhas, expressem opiniões e contribuam para decisões relacionadas às atividades e aos projetos.

Explorar

Envolve o contato com movimentos, sons, objetos, ambientes, elementos naturais e diferentes tipos de materiais.

Expressar

Pressupõe valorizar falas, gestos, desenhos, movimentos, brincadeiras e produções artísticas.

Conhecer-se

Está relacionado à construção da identidade, da autonomia, do autocuidado e do reconhecimento dos próprios sentimentos.

Um planejamento alinhado à BNCC precisa verificar não apenas qual campo está sendo trabalhado, mas também quais direitos estão sendo garantidos às crianças.

Como aplicar os campos de experiência no planejamento pedagógico?

Os campos de experiência apoiam os professores na construção de um planejamento pedagógico conectado ao cotidiano das crianças e aos objetivos da Educação Infantil.

Para transformar os campos em práticas pedagógicas consistentes, o planejamento pode seguir algumas etapas.

Observe o grupo

Identifique interesses, perguntas, brincadeiras recorrentes, necessidades e conhecimentos que as crianças já demonstram.

Selecione os objetivos de aprendizagem

Escolha objetivos previstos pela BNCC que sejam coerentes com a faixa etária, com o contexto e com as experiências observadas.

Planeje a experiência

Defina os espaços, os materiais, o tempo, os agrupamentos e as possibilidades de participação das crianças.

Organize a mediação

Prepare perguntas e intervenções que estimulem a investigação, a comunicação e a construção de novas hipóteses.

Registre e faça novos planejamentos

Analise como as crianças participaram, quais descobertas realizaram e quais experiências podem ser ampliadas nas próximas propostas.

Um erro comum é escolher uma atividade pronta e, somente depois, tentar encaixá-la em um campo. O planejamento deve partir das crianças e dos objetivos pedagógicos, e não apenas dos materiais disponíveis.

Como integrar diferentes campos em uma mesma atividade?

Os campos de experiência não funcionam como áreas independentes. Eles podem ser integrados em atividades, sequências didáticas e projetos.

Em um projeto sobre uma horta, por exemplo, as crianças podem organizar responsabilidades e trabalhar coletivamente, envolvendo O eu, o outro e o nós.

Ao cavar, transportar terra e manipular sementes, também desenvolvem experiências relacionadas a Corpo, gestos e movimentos.

A produção de desenhos e registros visuais envolve Traços, sons, cores e formas.

Os relatos sobre as descobertas e a produção de um diário coletivo mobilizam Escuta, fala, pensamento e imaginação.

Já o acompanhamento do crescimento das plantas, a comparação de tamanhos e a observação das transformações envolvem Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.

O professor não precisa trabalhar todos os campos em cada atividade. A integração deve acontecer quando for coerente com os objetivos e com a experiência proposta.

Campos de experiência na Educação Infantil na prática

Com uma diversidade de propostas, os campos de experiência na Educação Infantil podem ser inseridos nos diferentes momentos da rotina escolar.

As atividades devem ser adaptadas à faixa etária, ao espaço da escola e aos interesses das crianças.

Atividades para O eu, o outro e o nós

  • Imitar os colegas;
  • utilizar fantasias;
  • ouvir histórias;
  • ajudar a organizar a mesa para as refeições;
  • participar de jogos cooperativos;
  • construir combinados com a turma;
  • conversar sobre sentimentos;
  • buscar soluções coletivas para pequenos conflitos.

Atividades para Corpo, gestos e movimentos

  • Brincar com terra;
  • engatinhar;
  • dançar;
  • brincar com marionetes;
  • encaixar e empilhar objetos;
  • procurar objetos escondidos;
  • brincar de siga o mestre;
  • brincar de esconde-esconde;
  • jogar futebol;
  • participar de circuitos com obstáculos.

Atividades para Traços, sons, cores e formas

  • Pintar e misturar cores;
  • explorar diferentes texturas;
  • participar de jogos musicais;
  • identificar sons da natureza;
  • cantar;
  • modelar com massinha;
  • fazer dobraduras;
  • criar instrumentos com materiais reutilizáveis;
  • produzir desenhos de observação;
  • criar composições coletivas.

Atividades para Escuta, fala, pensamento e imaginação

  • Participar de jogos rítmicos;
  • recitar poesias;
  • criar sons;
  • reconhecer personagens;
  • brincar de cozinhar, organizando as etapas;
  • recontar histórias;
  • inventar diferentes finais para narrativas;
  • produzir histórias coletivas;
  • manusear livros, revistas, cardápios e convites.

Atividades para Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações

  • Realizar deslocamentos em locais com obstáculos;
  • empilhar e organizar objetos;
  • dividir materiais;
  • brincar de vender frutas;
  • localizar o dia no calendário;
  • observar e explicar fenômenos naturais;
  • comparar tamanhos, pesos e quantidades;
  • acompanhar mudanças no clima;
  • observar o crescimento de plantas;
  • explorar água, areia e terra.

Como avaliar o desenvolvimento nos campos de experiência?

A avaliação na Educação Infantil deve acompanhar a trajetória da criança e ajudar o professor a revisar suas práticas.

Ela não tem como objetivo classificar, aprovar ou comparar alunos.

O acompanhamento pode incluir registros escritos, fotografias, desenhos, portfólios, falas das crianças e observações feitas durante brincadeiras, projetos e momentos da rotina.

Mais do que verificar se a criança cumpriu determinado objetivo, é importante observar:

  • como ela participa das propostas;
  • quais estratégias utiliza;
  • como se comunica e interage;
  • quais avanços apresenta ao longo do tempo;
  • quais experiências precisam ser ampliadas.

Os registros devem subsidiar novos planejamentos, sem rotular as crianças ou transformar os objetivos da BNCC em uma lista de tarefas.

Como utilizar a tecnologia nos campos de experiência?

As tecnologias digitais podem ampliar as práticas pedagógicas quando são utilizadas com intencionalidade e conectadas às experiências concretas das crianças.

Vídeos, gravações de áudio, fotografias, livros digitais, jogos de sequência e portfólios podem apoiar projetos, estimular perguntas e permitir que a turma acompanhe suas próprias produções.

Esses recursos não devem substituir o brincar, o movimento, o contato com materiais, a convivência ou a exploração do ambiente.

Na Educação Infantil, a tecnologia funciona melhor quando ajuda as crianças a observar, registrar, criar e investigar.

Os campos de experiência na Educação Infantil podem ser inseridos a partir de diversas possibilidades no ensino híbrido.

Durante a pandemia, as tecnologias digitais se mostraram essenciais para o ensino híbrido. Por meio de aplicativos, games e ferramentas de videoconferência, foi possível transmitir conhecimento para as crianças, mesmo que elas não estivessem fisicamente na escola.

Quando falamos de campos de experiência na Educação Infantil, as tecnologias surgem como ótimas ferramentas para gerar atratividade e transformar a casa dos alunos em um ambiente mais próximo da realidade escolar. Aqui é possível utilizar aplicativos para alfabetização, vídeos musicais, filmes, entre vários outros recursos.

Todavia, para que o ensino híbrido funcione adequadamente, a escola precisa ter uma boa plataforma LMS, de modo a gerenciar corretamente as atividades, as aulas e a comunicação entre alunos e professores.

O SAS Plataforma de Educação surge como um parceiro das escolas na Educação Infantil, principalmente quando se trata de ensino híbrido.

Perguntas frequentes sobre os campos de experiência na Educação Infantil

O que são e quais são os cinco campos de experiência estabelecidos pela BNCC?

São formas de organização curricular baseadas nas experiências das crianças.

Os cinco campos são: O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; e Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.

Como aplicar os campos de experiência na rotina escolar?

O professor deve relacionar os objetivos da BNCC às situações da rotina, como acolhimento, alimentação, brincadeiras, leitura, exploração dos espaços e projetos.

As experiências precisam permitir participação, investigação, convivência e diferentes formas de expressão.

Uma atividade pode trabalhar mais de um campo de experiência?

Sim. Uma contação de histórias com dramatização, por exemplo, pode envolver linguagem oral, imaginação, expressão corporal, convivência e produção artística.

A integração deve ocorrer de forma coerente, sem tentar inserir todos os campos artificialmente.

Qual é a diferença entre campos de experiência e habilidades?

Os campos organizam o currículo da Educação Infantil.

Dentro deles, a BNCC apresenta objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para cada grupo etário. O termo “habilidades” é utilizado formalmente com maior frequência nas etapas seguintes da Educação Básica.

Como avaliar uma criança nos campos de experiência?

A avaliação deve ser feita por meio de observações e registros contínuos, considerando a trajetória individual, a participação, as interações e os avanços apresentados.

Não devem ser utilizados testes classificatórios ou comparações entre crianças.

Todos os campos precisam aparecer no planejamento semanal?

O planejamento deve garantir diversidade de experiências ao longo do tempo, mas não é necessário incluir todos os campos em todas as atividades.

O mais importante é acompanhar o currículo de forma contínua, intencional e equilibrada.

Como relacionar os direitos de aprendizagem aos campos de experiência?

Os direitos de conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se atravessam todos os campos.

O professor deve verificar se as propostas permitem que as crianças exerçam esses direitos de maneira ativa e significativa.

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