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Na reta final da preparação para o Enem, praticar a escrita e ampliar o repertório sociocultural são estratégias importantes para melhorar o desempenho na redação e alcançar a tão sonhada nota alta no exame.

Além do domínio da língua portuguesa e da organização das ideias, a produção textual no Enem exige que o estudante apresente argumentos consistentes, relacionados ao tema e sustentados por conhecimentos de diferentes áreas.

A Saúde Pública Brasileira reúne questões históricas, sociais, políticas e econômicas que podem ser exploradas em propostas sobre desigualdade, cidadania, direitos fundamentais, gestão pública e qualidade de vida.

Para ajudar você nesse desafio, preparamos mais um Pratique Redação! do SAS no Enem, com uma proposta de tema, textos motivadores e repertórios que podem ser utilizados para fundamentar a argumentação.

A seguir, você encontrará referências jurídicas, dados estatísticos, obras culturais e orientações para construir uma redação dissertativo-argumentativa completa.

Vamos lá? Caneta à mão, jogador(a)!

TEMA: Alternativas para a melhoria da saúde pública brasileira

TEXTOS MOTIVADORES

TEXTO I

Criado pela Constituição de 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS) completa 30 anos com números e resultados expressivos. Sete em cada dez brasileiros dependem exclusivamente de seus serviços, que incluem acesso a todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde e o maior modelo público de transplantes de órgãos do mundo. O SUS também provê assistência integral e gratuita aos portadores do HIV e de um leque de enfermidades graves. [...] O SUS tem falhado em eliminar as longas filas e gargalos no atendimento de casos de média e alta complexidade – um dos tormentos da população, que elegeu a saúde como o maior problema do país em pesquisa Datafolha. Conspiram contra seu bom funcionamento fatores como carência de financiamento, desorganização da rede, adição de novos tratamentos e limitações no atendimento preventivo.

A saúde do SUS. Folha de S.Paulo, São Paulo, 29 abr. 2018. Disponível em: http://www.folha.uol.com.br. Acesso em: 11 set. 2018 (adaptado)

TEXTO II

Gasto público em saúde é relativamente baixo no Brasil

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Gráfico de Países Selecionados

TEXTO III

Segundo dados do CFM (Conselho Federal de Medicina), há um médico para cada 470 brasileiros. No Norte e no Nordeste, esse número chega a 953,3 e 749,6, respectivamente. Pelos cálculos da OMS (Organização Mundial de Saúde), há 17,6 médicos para cada 10 mil brasileiros, bem menos que na Europa, cuja taxa é de 33,3.

SOBRINHO, W. P. Falta de médicos e de remédios: 10 grandes problemas da saúde brasileira. UOL, São Paulo, 9 maio 2018. Disponível em: http://www.noticias.uol.com.br. Acesso em: 20 out. 2018. (adaptado)

TEXTO IV

Art. 2o A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício.

§ 1o O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e na execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.

LEI No 8 080. Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 20 out. 2018.

PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Alternativas para a melhoria da saúde pública brasileira”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

REPERTÓRIOS DE REDAÇÃO

Direito 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH)

Segundo o artigo de número 25 da DUDH: “Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou em outros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade. Além disso, o artigo também assegura que “a maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma proteção social.”

Programa Mais Médicos

O Programa Mais Médicos (PMM), lançado em 2013 e regulamentado pela Lei n° 12.871, é parte de um amplo esforço do Governo Federal, com apoio de estados e municípios, para a melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Além de levar mais médicos para regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais, o programa prevê mais investimentos para construção, reforma e ampliação de Unidades Básicas de Saúde (UBS), além de novas vagas de graduação e residência médica para qualificar a formação desses profissionais. Assim, o programa busca resolver a questão emergencial do atendimento básico ao cidadão, mas também cria condições para continuar a garantir um atendimento qualificado no futuro para aqueles que acessam cotidianamente o SUS.

Unidades de Pronto Atendimento – UPAs

As UPAs fazem parte da Política Nacional de Urgência e Emergência, lançada pelo Ministério da Saúde em 2003, que estrutura e organiza a rede de urgência e emergência no país, com o objetivo de integrar a atenção às urgências. Elas Funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, e podem resolver grande parte das urgências e das emergências, como pressão e febre alta, fraturas, cortes, infarto e derrame. Com isso, esses atendimentos ajudam a diminuir as filas nos prontos-socorros dos hospitais. As UPAs inovam ao oferecerem estrutura simplificada, com raio-X, eletrocardiografia, pediatria, laboratório de exames e leitos de observação.

Ouvidoria do Sistema Único de Saúde (SUS)

A Ouvidoria-Geral do SUS é o setor responsável por receber reclamações, denúncias, sugestões, elogios e demais manifestações dos cidadãos quanto aos serviços e aos atendimentos prestados pelo SUS. Esse serviço tem como objetivo principal garantir e ampliar o acesso do cidadão na busca efetiva de seus direitos, atuando enquanto ferramenta de gestão e instrumento de fortalecimento do controle social. A ouvidoria foi criada em 2003 e, atualmente, integra a Diretoria de Integridade (DINTEG) do Ministério da Saúde. A Lei nº 13.460, de 26/06/17, informa que, para garantir seus direitos, o usuário poderá apresentar manifestações perante a administração pública acerca da prestação de serviços públicos, as quais serão dirigidas à ouvidoria do órgão.

Para isso, a Ouvidoria-Geral do SUS disponibiliza os seguintes canais de atendimento: telefone (Disque Saúde 136), internet, carta e atendimento presencial.

Série Sob Pressão

Sob Pressão é uma série de televisão brasileira de drama médico exibida no horário nobre da Rede Globo numa coprodução com a Conspiração Filmes, com roteiro de Jorge Furtado e direção artística de Andrucha Waddington. A primeira temporada do seriado estreou em 25 de julho de 2017. A série é fruto do longa-metragem homônimo, exibido nos cinemas em 2016, também do diretor Andrucha Waddington. A série possui três temporadas, estando a última ainda em exibição. O enredo foca no dia a dia dos funcionários de um hospital público no subúrbio do Rio de Janeiro, enfatizando as dificuldades enfrentadas por eles na busca por salvar vidas.

Como desenvolver argumentos sobre a Saúde Pública Brasileira?

Os textos motivadores ajudam a compreender o tema, mas não devem ser copiados ou apenas resumidos. Para construir uma argumentação produtiva, o estudante precisa selecionar um problema, explicar suas causas e consequências e relacioná-lo a um repertório.

Desigualdade regional e distribuição de profissionais

O Texto III pode fundamentar uma discussão sobre a concentração de médicos em determinadas regiões do país. Nesse caso, o argumento não deve se limitar à falta de profissionais, mas considerar as dificuldades de distribuição e permanência em municípios afastados.

Esse problema pode ser relacionado à ausência de infraestrutura adequada, de condições de trabalho e de incentivos para a atuação em áreas mais vulneráveis.

Financiamento, filas e atendimento especializado

Os Textos I e II permitem discutir como o financiamento e a organização da rede interferem na disponibilidade de medicamentos, exames, cirurgias e tratamentos de média e alta complexidade.

Em vez de afirmar apenas que faltam recursos, o estudante pode analisar como o planejamento, a fiscalização e a aplicação eficiente do orçamento influenciam a qualidade do atendimento.

Atenção básica e integração da rede

O fortalecimento das Unidades Básicas de Saúde pode ampliar as ações de prevenção, diagnóstico e acompanhamento contínuo da população.

Quando a atenção básica não consegue responder às necessidades locais, casos que poderiam ser acompanhados previamente chegam às UPAs e aos hospitais, aumentando a sobrecarga dos serviços de urgência.

A integração entre unidades básicas, centros especializados, hospitais e laboratórios também pode melhorar o encaminhamento dos pacientes e reduzir a repetição de exames.

Como relacionar contexto histórico, legislação e especialistas?

A criação do SUS está relacionada à redemocratização do Brasil e ao reconhecimento da saúde como um direito universal na Constituição Federal de 1988.

Esse contexto permite construir um contraste entre a garantia legal e os obstáculos que ainda dificultam o acesso igualitário aos serviços públicos.

Além da Lei nº 8.080 apresentada no Texto IV, o estudante pode recorrer ao artigo 196 da Constituição Federal, segundo o qual a saúde é um direito de todos e um dever do Estado.

Uma aplicação possível seria:

Embora a Constituição Federal reconheça a saúde como um direito de todos, as desigualdades regionais e as limitações estruturais dificultam a concretização desse princípio em diferentes partes do país.

O médico sanitarista Sérgio Arouca também pode ser utilizado como repertório para relacionar saúde, democracia e cidadania. Nesse caso, não é necessário memorizar uma citação extensa: o estudante pode apresentar o pensamento do especialista por meio de uma paráfrase.

Por exemplo:

A partir da concepção defendida por Sérgio Arouca, a saúde deve ser compreendida como parte do exercício da cidadania. Assim, a dificuldade de acesso aos serviços públicos também representa uma limitação à dignidade da população.

Como utilizar os repertórios no desenvolvimento da redação?

Cada repertório pode sustentar um tipo de argumento, desde que sua relação com o tema seja explicada.

  • Declaração Universal dos Direitos Humanos: pode fundamentar a saúde como direito humano relacionado à alimentação, à moradia, à assistência médica e ao bem-estar.
  • Programa Mais Médicos: pode ser relacionado à distribuição de profissionais e à necessidade de ampliar o atendimento em regiões com menor cobertura.
  • UPAs: ajudam a discutir a organização da rede de urgência e a necessidade de integração com a atenção básica.
  • Ouvidoria do SUS: pode fundamentar argumentos sobre fiscalização, participação social e melhoria da gestão.
  • Sob Pressão: pode ilustrar a falta de recursos, a sobrecarga das equipes e os desafios enfrentados nos hospitais públicos.

Ao utilizar a série Sob Pressão, por exemplo, o estudante não precisa resumir o enredo. Uma aplicação mais produtiva seria:

A série Sob Pressão retrata profissionais que precisam tomar decisões complexas em um hospital marcado pela escassez de recursos, evidenciando como limitações estruturais afetam o atendimento dos pacientes e as condições de trabalho das equipes.

Como organizar a redação para alcançar um bom desempenho?

O texto dissertativo-argumentativo precisa apresentar uma tese clara, argumentos diferentes entre si e uma proposta de intervenção relacionada aos problemas discutidos.

Introdução

Apresente o tema, faça uma contextualização breve e indique os dois argumentos que serão desenvolvidos.

Uma possibilidade de tese seria:

Embora o SUS represente uma conquista social ao assegurar atendimento universal, a distribuição desigual de profissionais e a fragilidade da atenção básica dificultam a melhoria da Saúde Pública Brasileira.

Desenvolvimento

Cada parágrafo deve aprofundar um aspecto diferente. Uma estrutura possível inclui tópico frasal, explicação, repertório, análise e relação com a tese.

Caso o primeiro desenvolvimento aborde a distribuição regional dos profissionais, o segundo pode tratar da atenção básica, do financiamento ou da integração entre os serviços.

Conclusão e proposta de intervenção

A conclusão deve retomar o problema e apresentar uma medida coerente com os argumentos desenvolvidos.

Uma proposta completa precisa indicar:

  • agente: quem realizará a ação;
  • ação: o que será feito;
  • meio: como a medida será executada;
  • finalidade: qual resultado deverá ser alcançado;
  • detalhamento: qual informação torna a proposta mais específica.

Um exemplo seria:

O Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, deve ampliar a presença de profissionais em áreas com baixa cobertura por meio de incentivos de permanência e da melhoria da infraestrutura das unidades, a fim de reduzir as desigualdades regionais no acesso ao atendimento. A execução deverá ser acompanhada pelos conselhos de saúde e divulgada em relatórios públicos.

Para respeitar os direitos humanos, a intervenção deve considerar a dignidade dos pacientes, a igualdade de acesso, a privacidade, a acessibilidade e o atendimento sem discriminação.

Erros comuns ao abordar a Saúde Pública Brasileira

Um erro frequente é afirmar que o SUS não funciona. Essa generalização desconsidera a extensão dos serviços oferecidos e enfraquece a argumentação.

Também devem ser evitados:

  • copiar ou parafrasear excessivamente os textos motivadores;
  • utilizar dados sem contextualizar a fonte e o período;
  • apresentar repertórios sem explicar sua relação com o argumento;
  • repetir o mesmo problema nos dois parágrafos de desenvolvimento;
  • restringir a discussão à construção de hospitais;
  • propor apenas que “o governo invista mais”;
  • apresentar uma intervenção sem agente, meio ou finalidade.

Perguntas frequentes sobre Saúde Pública Brasileira na redação

Como iniciar uma redação sobre saúde pública?

Comece com uma contextualização histórica, jurídica ou sociocultural e apresente uma tese que indique os problemas discutidos. A Constituição Federal, a criação do SUS ou uma obra como Sob Pressão podem servir como ponto de partida.

O que falar sobre a saúde pública no Brasil?

É possível abordar a desigualdade regional, a distribuição de profissionais, o financiamento, as filas de atendimento, a atenção básica e a integração entre os serviços. Escolha dois aspectos que possam ser desenvolvidos com profundidade.

O que falar sobre saúde na redação?

A saúde pode ser relacionada a cidadania, direitos humanos, prevenção, saneamento, vacinação, saúde mental e desigualdade social. O recorte deve acompanhar o tema apresentado na proposta.

Como posso usar meu repertório de saúde pública em minha redação?

Apresente a referência de forma breve e explique o que ela comprova. A Constituição pode fundamentar o direito à saúde, os dados do CFM podem demonstrar desigualdades regionais e a série Sob Pressão pode ilustrar limitações estruturais do sistema.

Após a leitura da proposta, dos textos motivadores e dos repertórios de redação sugeridos, pratique sua escrita seguindo as normas padrões do ENEM. Quer relembrar quais são elas? Confira aqui!

Boa redação, jogador(a)!

* O material com proposta de redação, textos motivadores e repertórios utilizados nesta postagem foram concedidos pelo Laboratório de Redação do Colégio Ari de Sá.

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