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Em mais um episódio do PODcompartilhar, série especial do SAS Cast sobre Projeto de Vida, o especialista em aprendizagem e orientação parental Henrique Angelo aprofunda o debate sobre saúde mental e ansiedade escolar, com foco na ansiedade dos jovens no ensino médio. 

A ansiedade escolar é uma das principais preocupações de famílias e escolas no ensino médio, etapa que reúne cobranças, escolhas e muitas emoções ao mesmo tempo.

O ensino médio, sem dúvida, é uma etapa da vida dos estudantes que pode acarretar um mix de emoções e acentuar questões relacionadas à saúde mental, como a ansiedade na escola. Por isso, o terceiro episódio do PODcompartilhar tratou do tema com as famílias.

O PODcompartilhar, série de podcasts do SAS Cast, funciona como um canal aberto de conversa com os familiares dos alunos para discutir o Projeto de Vida.

Nele, o psicólogo Henrique Angelo, especialista em aprendizagem e orientação parental, compartilha conhecimentos para apoiar pais e responsáveis a prevenir ou lidar com a ansiedade dos jovens.

Este texto reúne os principais pontos do episódio e acrescenta sinais de alerta, dados e o papel da escola.

O que é ansiedade escolar?

O especialista inicia a reflexão comentando que, em certo grau, é normal sentir ansiedade. Ele explica que a ansiedade é um estado emocional que, por diversas vezes, está relacionado à antecipação de um futuro incerto, em que a situação vivida é imaginada considerando o pior cenário possível.

Essa construção mental seria uma forma de tentar prever as consequências de nossas ações, e funciona como um mecanismo de proteção desenvolvido pelo ser humano ao longo de sua evolução.

A ansiedade escolar é essa resposta quando o gatilho está na rotina da escola: provas, cobranças, relação com os colegas e a escolha do futuro. Ela vira problema quando fica intensa e desproporcional ao contexto e causa sofrimento ou prejuízo, segundo o psiquiatra Elton Kanomata, ouvido pela CNN Brasil.

Por que a ansiedade na escola preocupa?

No SUS, os atendimentos por ansiedade entre jovens de 15 a 19 anos passaram de 1.534 em 2014 para 53.514 em 2024. Na faixa de 10 a 14 anos, o salto foi de 1.850 para 24,3 mil, segundo dados do Ministério da Saúde.

Os números indicam que o tema chegou às escolas. Como a rotina escolar concentra os gatilhos, professores e famílias costumam ser os primeiros a perceber os sinais.

Quais são as causas e os sinais da ansiedade escolar?

Causas: o peso das experiências pessoais

O educador expõe que a ansiedade dos jovens tem suas raízes nas experiências pessoais e destaca que, nesse sentido, um ambiente de frequente cobrança, punição ou correção deve ser evitado. Ele elucida que um histórico de ações como essas, quando exercidas de maneira excessiva, pode gerar ansiedade.

Sinais de alerta no dia a dia

Há diversas situações que o profissional traz para contextualizar o tema. Quando um aluno tem um histórico de ser muito cobrado ou punido na escola, sem ter uma boa relação com os colegas, pode desenvolver ansiedade, inclusive, de ir para a escola.

Isso se manifesta de várias formas, como quando o estudante protela para sair de casa ou para entrar na escola, ou quando somatiza essa ansiedade e tem dores de cabeça ou dores estomacais na hora que deveria estudar ou ir para a instituição.

Outros sinais são preocupação constante, problemas de sono, dificuldade de concentração, evitação de situações temidas e queda no desempenho escolar.

Como lidar com a ansiedade dos jovens?

O que o especialista orienta

O especialista comenta que é muito comum recomendar para uma pessoa que está ansiosa que se perceba de forma diferente ou pense de outro jeito. Essas estratégias, por mais comuns que sejam, têm um problema: temos pouco controle sobre o que pensamos e sentimos, temos mais controle sobre o que fazemos.

Segundo ele, ao pensar “não posso errar”, trazemos esse futuro hipotético para o presente e, se esse futuro for ameaçador por causa da nossa história, ficaremos ansiosos.

A mesma lógica vale para frases do tipo “não fique ansioso” e “não pense coisas ruins”, pois a pessoa pode até tentar não se sentir desse modo, mas simplesmente não tem como alterar voluntariamente seu estado emocional, o que pode deixá-la ainda mais ansiosa.

Henrique compartilha algumas dicas práticas de controle da ansiedade que os alunos podem realizar quando se sentirem nesse estado emocional. São elas: controlar a respiração e direcionar todas as energias nessa atividade, realizar uma atividade que exija muita atenção, como jogos ou outras que demandam raciocínio, e mudar de ambiente.

Note que todas essas dicas têm a mesma base: tirar o foco dos pensamentos relacionados à ansiedade.

Como apoiar quem está ansioso

Em seguida, Henrique aborda como auxiliar uma pessoa próxima que se encontra ansiosa. Ele aconselha adotar uma postura de acolhimento, utilizando frases de suporte, como: “deve estar sendo difícil” e “estou com você para sairmos dessa situação”.

Também ajuda evitar críticas, culpa e frases que minimizem o sofrimento do jovem, atitudes que podem agravar o quadro.

Cinco orientações para prevenir a ansiedade dos jovens

O psicólogo finaliza com cinco orientações para prevenir ou lidar com a ansiedade dos jovens, a partir do que foi discutido ao longo do episódio.

Valorize o que foi feito, o percurso, e não o resultado. Tenha cuidado com correções excessivas e separe momentos de crítica de momentos de elogio.

Dê apoio, mostrando que está com o jovem para ajudar a resolver o problema, e esteja disponível para ouvir.

Quando procurar um psicólogo?

Henrique reforça que, se o nível de ansiedade de seu filho ou sua filha estiver muito alto, é recomendado procurar um psicólogo ou uma psicóloga para que haja um acompanhamento profissional dessa questão.

O diagnóstico cabe a profissionais de saúde. No SUS, o caminho começa pela Unidade Básica de Saúde. Em momentos de sofrimento intenso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Como a escola pode ajudar na ansiedade escolar

A escola é um dos espaços em que a ansiedade aparece e um dos mais propícios para preveni-la. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) recomenda intervenções nas escolas, como um ambiente psicológico seguro e positivo e o ensino de habilidades para a vida.

Na prática, isso passa por escuta ativa, menos cobrança e correção excessivas, atenção às relações entre os colegas e conversa próxima com as famílias.

No ensino médio, o SAS inclui o Projeto de Vida e uma matriz de habilidades socioemocionais. A formação continuada apoia a prática dos professores nessa tarefa.

Ansiedade escolar pede escuta, rotina e acompanhamento

A ansiedade escolar faz parte do ensino médio em algum grau, mas exige atenção quando se torna intensa. Valorizar o percurso, evitar correções excessivas e ouvir o jovem estão entre as orientações do episódio, e o apoio de um psicólogo é indicado quando o nível de ansiedade estiver muito alto.

Gostou do conteúdo? Ouça o episódio completo do PODcompartilhar pelo link do início deste texto. Para conhecer nossas soluções e apoiar a gestão escolar, fale com um de nossos consultores.

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SAS Educação

Perguntas frequentes sobre ansiedade escolar

Ansiedade escolar é o mesmo que ansiedade de prova?

Não. A ansiedade de prova se concentra nos momentos de avaliação. A ansiedade escolar é mais ampla e pode envolver ir à escola, a relação com os colegas, a cobrança e a escolha do futuro.

A escola pode diagnosticar ansiedade?

Não. O diagnóstico é de profissionais de saúde, como psicólogos e psiquiatras. A escola observa, acolhe, conversa com a família e encaminha quando necessário.

Como o professor pode ajudar em sala de aula?

Preservando o sigilo do aluno, sem minimizar o que ele relata, e reservando minutos de escuta no início da aula. Casos mais intensos vão para a coordenação.

Posso conversar com a escola sobre a ansiedade do meu filho?

Sim. Leve o que você observa em casa, como dores de cabeça antes de ir à aula ou demora para sair, e pergunte o que a escola percebe no dia a dia. A conversa ajuda a combinar o apoio em conjunto.

Onde buscar ajuda gratuita?

No SUS, o caminho começa pela Unidade Básica de Saúde, e o CAPS infanto juvenil atende casos mais graves. O CVV atende pelo telefone 188, 24 horas por dia.

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